segunda-feira, 29 de agosto de 2011

0.1. Paisagem e história


     O concelho de Viana distribui-se pelas duas margens do rio Lima, junto de cuja foz está implantada a cidade.
     A paisagem é muito variada, alongando-se por vales frescos e colinas, entre os quais deslizam o rio Lima e outros cursos de água. A oeste confina com o Oceano Atlântico, prendando-o com agradáveis praias de areia fina, que se estendem, na orla litoral, por Afife, Carreço, Areosa, junto à cidade (Praia Norte), Cabedelo, Rodanho, Amorosa e Castelo de Neiva. A estas somam-se as praias fluviais do Lima, sendo justo citar as de Argaçosa, Barco do Porto, Lanheses, Passagem, Subportela e Vila Franca.
     O clima é ameno, associando-se à fertilidade da terra para fazer desta região uma das mais belas e apetecidas. O viandante pode encontrar aprazíveis recantos, onde brilham os raios de sol, entre a frescura da vegetação e a musicalidade das águas correntes em tantos lugares, dos quais citamos como exemplo, nas margens do Lima, a veiga de S. Simão, em Mazarefes, os Esteiros, em S. Salvador da Torre; nas margens do Âncora, o Pincho e os Viveiros, em Amonde e S. Lourenço de Montaria; nas margens do Neiva, as Mós, em Barroselas; e, para nos afastarmos dos maiores cursos de água, em Areosa, o lugarejo de S. Mamede, em plena montanha de S. Luzia, e, em Afife, Cabanas, onde existiu um convento beneditino. 
     A estes somam-se as estâncias panorâmicas, distribuídas por todo o território do município, de onde se obtém esplêndidas vistas sobre o rio, sobre o mar ou sobre toda a vasta paisagem envolvente: é o caso de Santa Luzia, junto à cidade, do monte do Faro ou do Paço de Anha, do lado Sul, do monte do Castelo de Neiva, da Vacaria, em Carvoeiro, da Senhora do Crasto, em Deucriste, de S. Silvestre, em Cardielos, ou da Senhora do Minho, no alto da Serra de Arga.

domingo, 31 de julho de 2011

História Geral – História Local

Um projecto em desenvolvimento...
(No rescaldo de uma acção de formação)
 
Este espaço é dedicado à História Local de Viana do Castelo. Situa-se na linha desenvolvida durante uma  acção de formação de professores do ensino secundário, que fomos convidado a orientar, na Escola Secundária de Monserrate (Viana do Castelo), de 2 de Março a 19 de Maio de 2004.

          A História Local faz parte da História Total.  Sendo a História a consciência que os homens têm de si próprios  como comunidade,  o interesse da História Local  advém do facto de ser ela a única ponte de  acesso directo  à  História Total,  de tal modo que o melhor se não até o único caminho para chegarmos à compreensão de uma terá de passar através da outra.
       Ela permitir-nos-á:
-        Adquirir um conhecimento mais profundo da História da comunidade em que estamos inseridos;
-        Aprofundar o conhecimento das relações da História local com a História total, como um todo inseparável;
-       Recolher os instrumentos de estudo necessários para despertar o interesse de todos e especialmente dos mais jovens pelo conhecimento da História local e através dela na História total.
-        Conhecer os sítios, monumentos, obras de arte e documentos escritos fundamentais para o conhecimento e a compreensão da História local.

Conteúdos fundamentais:

1.      Pré-história e arqueologia:
1.1.       Economias recolectoras.
1.2.       Economias produtoras.
1.3.       A sociedade castreja.

2.      História antiga:
2.1.       Romanização.
2.2.       Cristianização.
2.3.       A religiosidade popular.
2.3.1.      Cristianização de cultos indígenas.
2.3.2.      Pelagianismo.
2.3.3.      Monaquismo.

3.      A primeira Idade Média:
3.1.       Suevos e Visigodos. Dioceses e Paróquias.
3.2.       Ocupação muçulmana. Os moçárabes.
3.3.       A reconquista
3.3.1.      As presúrias territoriais.
3.3.2.      A organização do território e da propriedade.
3.3.3.      As diferenças sociais.

4.      Nas origens de Portugal:
4.1.       Organização administrativa e militar: terras  ou tenências e julgados.
4.2.       Comunidade naturais: concelhos de município e concelhos de aldeia; os forais.
4.3.       A reorganização diocesana e paroquial.
4.4.       A renovação monástica. As ordens religiosas.
4.5.       A arte românica: igrejas e mosteiros; torres e castelos.
4.6.       Desenvolvimento urbano e desenvolvimento cultural:
4.6.1.      A arte gótica.
4.6.2.      As cantigas de amigo e as cantigas de Santa Maria .

5.      A crise do século XIV:
5.1.       Crise demográfica, económica e social:
5.1.1.      A peste.
5.1.2.      A crise de rendimentos e a crise social.
5.1.3.      Juizes de fora, corregedores e vereadores.
5.1.4.      Política de doações.
5.1.5.      O descontentamentos dos povos.
5.2.       Crise dinástica:
5.2.1.      As alianças matrimoniais e os municípios.
5.2.2.      As campanhas militares de 1383-1385 no Alto Minho.

6.      O crescimento dos séculos XV e XVI:
6.1.       O crescimento urbano:
6.1.1.      A vila de Viana no século XV
6.1.2.          A administração eclesiástica de Valença e a construção da nova igreja.
6.1.3.      A chegada dos franciscanos
6.2.       Uma nova época de prosperidade:
6.2.1.      A passagem de D. Manuel I e as transformações de Viana.
6.2.2.      A arte manuelina no Alto Minho.
6.2.3.      As expedições marítimas (João Álvares Fagundes e outros).
6.2.4.      O horizonte do Brasil.
6.3.       A nova sociedade vianense:
6.3.1.      Nobres e burgueses.
6.3.2.      As casas quinhentistas.
6.3.3.      Os conventos de Sant’Ana e de S. Bento.
6.3.4.      A Irmandade dos Mareantes.
6.3.5.      A Misericórdia.

7.      A crise dinástica:
7.1.       D. António em Viana
7.2.       A fortaleza de Santiago da Barra.
7.3.       D. Frei Bartolomeu dos Mártires.
7.4.       A contra-reforma: o convento de S. Domingos
7.5.       Os marinheiros de Viana.
7.6.       As crises económicas e a Restauração.

8.      Da Restauração ao Marquês de Pombal
8.1.       As guerras da Restauração no Alto Minho
8.2.       Engenheiros militares e arquitectos.
8.2.1.      Miguel de Lescole.
8.2.2.      Manuel Pinto de Vilalobos e a sua escola.
8.3.       O ouro do Brasil.
8.3.1.      Os solares.
8.3.2.      As igrejas: os azulejos e o “barroco nacional”.

9.      Do Marquês de Pombal ao Liberalismo:
9.1.1.      Reflexos da política pombalina no porto de Viana.
9.1.2.      Realizações do último barroco: André Soares em Viana.
9.1.3.      Reforma da Universidade e manufacturas – Vandelli e a renovação das faianças: a fábrica de louça de Viana (Darque).
9.1.4.      As invasões francesas e a reforma administrativa: a elevação de Viana a capital de distrito e a cidade.
9.1.5.      A extinção dos conventos.
9.1.6.      A patuleia e a Maria da Fonte. A visita da Rainha.

10.  Séculos XIX e XX:
10.1.   A nova política de transportes: as estradas, o caminho de ferro, a ponte, o porto de mar.
10.2.   Reflexos urbanísticos da política de transportes.
10.3.   A construção naval.
10.4.   A cultura e o ensino: as escolas. A cultura: o Teatro, o Museu. O desenvolvimento da    imprensa: o exemplo de “A Aurora do Lima”.
10.5.   Turismo, festas,  “folclore”, turismo. Evasão ou busca de uma identidade?
10.6.  Perspectivas do futuro.

11.Alguma bibliografia:

Cada tema justifica a sua própria bibliografia, quando ela existir. Com função meramente introdutória, indicam-se desde já algumas obras de carácter geral:

Armando Coelho Ferreira da Silva – A Cultura Castreja no Norte de Portugal, Porto, 1986.
A. de Almeida Fernandes – Como nasceu Viana, Viana, 1959.
José Marques – O censual do Cabido de Tui para o arcediagado da terra de Vinha, Braga, 1980.
Manual Aguiar Barreiros – Egrejas e Capelas Românicas da Ribeira Lima, Porto, 1926.
Carlos Alberto Ferreira de Almeida - Alto Minho, Lisboa, 1987.
João Vieira Caldas e Paulo Varela Gomes – Viana do Castelo, Lisboa, 1990.
José Rosa Araújo – Serão, 3 vol., Caminha, 1982-1989.
Manuel António Fernandes Moreira – O porto de Viana na época dos descobrimentos, Viana, 1984; Idem – Os mercadores de Viana e o Comércio do Açúcar Brasileiro, Viana, 1990; etc.
Francisco José Carneiro Fernandes – Tesouros de Viana, Viana, 1999.
José Escaleira e José Carlos Loureiro – Feiras e Mercados de Viana, Viana, 2001.
Mário Gonçalves Fernandes – Viana do Castelo. A Consolidação da Cidade (1885-1926), Lisboa, 1995.
Manuel Inácio Rocha – O Real Colégio das Chagas, Viana, 1996; Idem – O Lar de Santa Teresa, Viana, 2002.
José Caldas – História de um Fogo Morto, 2.ª ed. /fac-sim.), Viana, 1990.
Henrique Rodrigues – Emigração e Alfabetização, Viana, 1995.
José Subtil e Ana T. Gaspar – A Câmara de Viana do Minho nos Finais do Antigo Regime, 2 vol., Viana, 1998.
Rui Graça Feijó – Liberalismo e Transformação Social, Viana, 1992.
José Viriato Capela – A Revolução do Minho de 1846, Viana, 1999;
António Matos Reis – Fundação de Viana. O Foral de D. Afonso III, Viana, 1994; Idem – Caminhos da História da Arte no Noroeste de Portugal no primeiro quartel do século XVIII, Viana, 1995; Idem – Viana em 1517  - Urbanismo, demografia, sociedade, Viana, 1995; Idem – Entre o sucesso e a desgraça: Pero do Campo Tourinho, fundador de Porto Seguro, Viana, 2000; Idem – A Louça de Viana na época áurea da faiança portuguesa, Lisboa, 2003; Idem – Lopes - Uma Família de Artistas em Portugal e na Galiza, Guimarães, 1989; Idem – Viana: a cidade através do tempo, Viana do Castelo, 1992; Idem – A arte da  época dos descobrimentos no Alto Minho, Viana, 1966; Idem – Roteiro do Museu Municipal de Viana do Castelo, Viana, 2001.
 António Matos Reis

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